Vale dos Pombos
Göreme e os vales das chaminés de fada

Vale dos Pombos

A caminhada mais plana e fácil da Capadócia: um trilho ladeado por pombais que liga Uçhisar a Göreme. O que esperar, tempo e calçado.

Quick facts

Início do trilho a partir de Göreme
5-10 minutos a pé ou um curto trajeto de táxi até qualquer uma das pontas
Orçamento diário (autoguiado)
20-40 EUR incluindo água, snacks e táxi de regresso
Melhor época
Abril-junho e setembro-outubro
Tempo necessário
1-1,5 horas num só sentido, sem pressa
Best for
visitantes de primeira viagem que procuram uma introdução fácil aos vales, viajantes sem carro que querem ligar Uçhisar a Göreme a pé, famílias com filhos mais velhos, fotógrafos interessados nos pombais esculpidos na rocha em vez de formações rochosas dramáticas
Best time to visit
Início da manhã ou as últimas duas horas antes do pôr do sol, de abril a junho e de setembro a outubro
Days needed
Meio dia ou menos
Quick Answer

O que é o Vale dos Pombos na Capadócia e quanto tempo demora a caminhada?

O Vale dos Pombos (Güvercinlik) é um trilho plano e praticamente sem sombra que liga Uçhisar a Göreme, assim chamado pelos buracos de pombal esculpidos nas falésias ao longo do percurso. Percorrido num só sentido demora entre 1 e 1,5 horas e é uma das rotas mais fáceis da região, embora valha sempre a pena usar sapatos fechados nos trechos mais poeirentos.

Um corredor plano entre duas aldeias

O Vale dos Pombos, conhecido localmente como Güvercinlik, é o trilho que a maioria dos visitantes hospedados em Göreme ou Uçhisar acaba por percorrer mais cedo ou mais tarde, muitas vezes sem planear. Estende-se entre as duas aldeias ao longo de um corredor largo e praticamente plano, escavado no tufo, e é o único vale da região que serve genuinamente qualquer pessoa capaz de caminhar cerca de uma hora num piso nivelado e não pavimentado.

Comparado com o Vale das Espadas ou o Vale das Rosas, ambos exigindo trepar degraus de rocha e encontrar caminho por desfiladeiros laterais mais estreitos, a diferença é imediata: o Vale dos Pombos quase não tem desnível, não tem bordas expostas e não tem trechos que exijam usar as mãos para escalar.

Isso torna-o numa peça genuinamente útil da geografia da região, e não apenas mais uma caminhada bonita. Se está hospedado em Göreme e quer ver o castelo de Uçhisar, ou hospedado em Uçhisar e quer chegar ao museu ao ar livre de Göreme, caminhar pelo Vale dos Pombos é uma forma realista de percorrer o percurso a pé em vez de apanhar um táxi ou esperar por um dolmuş.

Não vai oferecer a cor dramática do Vale Vermelho ao pôr do sol nem as igrejas com afrescos espalhadas pelo Vale das Rosas, e vale a pena deixar isso claro desde já. O que oferece em troca é uma rota fácil e direta, com uma característica visual específica e algo invulgar ao longo de quase todo o percurso, em ambas as paredes do vale.

Porque se chama Vale dos Pombos

O nome vem das centenas de pequenos nichos, aproximadamente quadrados, esculpidos nas faces de rocha macia de ambos os lados do trilho. São antigos pombais: aberturas talhadas à mão na falésia para que os pombos nidificassem lá dentro, abrigados de aves de rapina e das intempéries.

Durante gerações, os agricultores em torno de Göreme e Uçhisar criaram pombos especificamente pelos seus excrementos, que eram recolhidos e espalhados nas vinhas e pomares do planalto acima como fertilizante, numa época em que o solo à base de tufo precisava de toda a ajuda possível. Alguns pombais foram decorados com pequenos painéis pintados ou molduras decorativas simples à volta das aberturas, algumas ainda ligeiramente visíveis para quem souber onde procurar.

Este é o principal marcador visual a observar durante a caminhada: paredes rochosas que parecem, à distância, quase crivadas ou salpicadas de pequenos quadrados escuros, em grupos que por vezes se estendem por dezenas de metros ao longo de uma única parede. Vale a pena saber, antes de chegar, que o Vale dos Pombos não é um local construído à volta de um mistério histórico ou de um monumento com uma história para contar, ao contrário das igrejas rupestres de Göreme ou do mosteiro de Selime.

O seu atrativo é mais simples: uma característica humana e invulgar na paisagem, aliada a uma caminhada fácil e agradável entre dois lugares que provavelmente precisa de percorrer de qualquer forma. Encare com alguma reserva qualquer apresentação do Vale dos Pombos como um local de grande intriga histórica; a verdadeira história aqui é agrícola, prática e razoavelmente bem compreendida.

Caminhando pelo trilho: o que esperar

A ponta de Uçhisar

Partindo de Uçhisar, o início do trilho situa-se junto ao castelo, alcançável em poucos minutos a pé a partir do centro da aldeia. O caminho desce suavemente até ao fundo do vale e abre-se de imediato no corredor largo e claro que define toda a caminhada. O piso é de terra compactada e pedra solta em vez de degraus de rocha, o que explica em parte porque a rota é acessível para a maioria dos caminhantes, mas também porque é preciso algum cuidado com os pés depois da chuva, quando a mesma superfície fica escorregadia.

A ponta de Göreme

Na ponta de Göreme, o caminho surge perto da estrada em direção ao museu ao ar livre, a uma curta caminhada ou trajeto de táxi do centro da aldeia. A maioria dos visitantes opta por começar em Uçhisar e terminar em Göreme, em parte porque o desnível torna a caminhada ligeiramente mais fácil nesse sentido, e em parte porque Göreme oferece mais restaurantes e cafés para terminar o dia. Qualquer um dos sentidos funciona perfeitamente, e nenhuma das pontas exige carro.

Ao longo do percurso, o vale estreita e alarga algumas vezes, mas nunca se fecha em nada semelhante a um verdadeiro desfiladeiro. Não há bifurcações que não levem a lado nenhum, como acontece nalguns dos vales laterais mais pequenos perto do Vale de Zemi ou do Vale de Meskendir, que podem apanhar de surpresa caminhantes menos preparados. A sinalização é irregular em alguns pontos, tal como acontece na maior parte da rede de vales, mas o trilho em si é largo e suficientemente óbvio para que perder-se por qualquer período de tempo seja improvável, bastando continuar a caminhar numa só direção.

Como se compara com os outros vales da Capadócia

ValeTerrenoTempo típicoSombraDificuldade
Vale dos PombosCorredor plano e largo1-1,5 horas num sentidoMínimaFácil
Vale das RosasDegraus de rocha, trechos estreitos2-3 horasIrregularModerada
Vale VermelhoDegraus de rocha, íngreme em alguns pontos1,5-2,5 horasIrregularModerada
Vale das EspadasEstreito, alguma trepada1,5-2 horasMínimaModerada a difícil
Vale do AmorIrregular, alguma subida1-2 horasMínimaModerada
Vale BrancoCascalho e rocha1-1,5 horasMínimaModerada

A comparação é útil para o planeamento e não para uma classificação. Se a prioridade é uma caminhada matinal fácil, com um início e um fim claros, o Vale dos Pombos é a escolha óbvia. Se procura cor rochosa dramática e se sente confortável em terreno irregular, o Vale Vermelho ou o Vale das Rosas servirão melhor, sobretudo ao pôr do sol.

Horários, sombra e o que levar

Há muito pouca cobertura de árvores no trilho do Vale dos Pombos. Ao longo de longos trechos, a caminhada segue por um terreno aberto ladeado por falésias em vez de sob qualquer copa, pelo que a sombra que existe vem das próprias paredes do vale, e apenas quando o ângulo do sol calha bem. Em julho e agosto isto importa: uma caminhada fácil e plana torna-se desconfortável ao meio-dia, quando as temperaturas sobem para a casa dos trinta graus. Procure fazer o percurso nas primeiras horas após o nascer do sol ou nas últimas duas antes do pôr do sol, tanto por conforto como porque a luz nas paredes rochosas é melhor para fotografar os pombais nesses momentos.

Apesar do terreno fácil, vale a pena calçar sapatos fechados. O caminho é seco e poeirento na maior parte do ano, mas a mesma superfície de tufo fica genuinamente escorregadia depois da chuva, e os trechos de cascalho solto podem prender uma sandália em ângulo inconveniente. Leve pelo menos um litro de água por pessoa, mesmo para uma caminhada tão curta, já que não há onde reabastecer ao longo do percurso. Um chapéu e protetor solar importam aqui mais do que em alguns dos vales mais profundos e estreitos, precisamente porque há menos sombra natural disponível.

O sinal de telemóvel é irregular nos trechos mais profundos, mas não desaparece por completo como acontece em desfiladeiros mais estreitos, já que o corredor se mantém relativamente aberto ao longo de todo o percurso.

Fazer por conta própria ou reservar um tour

Como o trilho é plano, bem percorrido e difícil de perder, a maioria das pessoas caminha pelo Vale dos Pombos inteiramente por conta própria, sem reservar nada. Adequa-se ao passeio autoguiado melhor do que quase qualquer outro vale da região: escolha um sentido, comece a caminhar e siga o percurso óbvio durante uma hora a hora e meia.

Dito isto, uma opção guiada faz sentido em algumas situações específicas. Se preferir combinar o Vale dos Pombos com locais mais distantes no mesmo dia sem organizar o próprio transporte, uma saída guiada junta a caminhada a um itinerário mais amplo.

Uma caminhada guiada pelo Vale dos Pombos com recolha e regresso ao hotel

elimina a logística de chegar a uma ponta e regressar da outra, que é o único ponto de atrito real numa caminhada de resto simples.

Para quem quer combinar o vale com uma das cidades subterrâneas no mesmo dia,

uma visita combinada a uma cidade subterrânea e caminhada no Vale dos Pombos

cobre dois lados muito diferentes da região numa única saída: túneis frescos e fechados seguidos de uma caminhada ao ar livre.

Existe também uma opção mais alargada a considerar se o seu passeio de um dia seguir para sul, em direção ao Vale de Ihlara:

um tour de dia inteiro que cobre Derinkuyu, o Vale de Ihlara e o Vale dos Pombos

junta uma caminhada mais longa por um desfiladeiro e uma cidade subterrânea a esta caminhada mais curta, o que convém a viajantes sem carro que querem cobrir mais terreno num só dia.

Se preferir manter-se mais próximo dos vales mais curtos,

uma caminhada de meio dia que liga o Vale do Amor ao Vale dos Pombos

combina esta rota com um dos vales de formações rochosas mais distintivos nas redondezas, proporcionando uma manhã mais completa sem exigir um itinerário de dia inteiro.

Nenhuma destas opções é necessária apenas para caminhar pelo Vale dos Pombos. O seu valor vem sobretudo do transporte e da combinação com outros locais, não de qualquer necessidade de um guia para interpretar o trilho.

Combinar o Vale dos Pombos com o resto do seu dia

Por ligar diretamente Uçhisar e Göreme, o Vale dos Pombos funciona bem como elo de ligação em vez de destino à volta do qual construir um dia inteiro. Um padrão comum é começar em Uçhisar, visitar o castelo pela vista sobre os vales, descer depois até ao Vale dos Pombos e terminar em Göreme a tempo do museu ao ar livre ou de almoçar na aldeia. Os viajantes que seguem um itinerário de um dia por Göreme e Uçhisar costumam incluir esta caminhada sem a acrescentar como paragem separada.

Também combina bem com uma tarde mais tranquila, já que a caminhada em si raramente demora mais de noventa minutos. Alguns visitantes combinam-na com um percurso mais curto pelo Vale de Zemi ou prolongam o dia com vistas do pôr do sol a partir do castelo de Uçhisar depois de terminar a caminhada.

Para um planeamento mais geral sobre que vales convêm a que níveis de forma física e orçamentos de tempo, o guia das melhores caminhadas da Capadócia situa o Vale dos Pombos ao lado das opções mais exigentes, e o guia de segurança nas caminhadas cobre as precauções de água, calçado e calor aplicáveis a todas elas, incluindo o Vale dos Pombos, mesmo no seu grau mais fácil.

Perguntas frequentes sobre a caminhada no Vale dos Pombos

Quanto tempo demora a caminhada no Vale dos Pombos?

Conte com 1 a 1,5 horas para percorrer o trilho num só sentido a um ritmo tranquilo, mais se parar várias vezes para fotografias. É um passeio curto comparado com meio dia no Vale de Ihlara ou no Vale das Rosas.

Onde começa e termina o trilho do Vale dos Pombos?

As duas pontas situam-se junto ao castelo de Uçhisar e na periferia de Göreme, perto da estrada que segue para o museu ao ar livre. Qualquer uma das pontas serve como início; a maioria das pessoas termina em Göreme, onde há mais opções para almoçar.

O Vale dos Pombos é difícil?

Não. É uma das caminhadas mais planas e diretas da região, sem qualquer trepada ou descida acentuada como as que existem no Vale das Espadas ou no Vale das Rosas. Uma condição física normal chega perfeitamente.

Porque se chama Vale dos Pombos?

As famílias locais esculpiram pequenas aberturas quadradas nas falésias de rocha macia para alojar pombos, recolhendo depois os excrementos como fertilizante para as vinhas e pomares do planalto acima. A prática cessou em grande parte, mas centenas de nichos continuam visíveis ao longo das paredes.

Há sombra no trilho do Vale dos Pombos?

Muito pouca ao longo de grande parte do percurso. O caminho segue por um corredor aberto com vegetação rasteira em vez de árvores, pelo que as caminhadas ao meio-dia em pleno verão se tornam desconfortavelmente quentes. O início da manhã ou as últimas horas antes do pôr do sol são mais sensatos.

Posso caminhar no Vale dos Pombos sem guia?

Sim. O trilho é bem marcado, praticamente plano e difícil de perder em todo o seu percurso, o que explica porque agrada a quem prefere não integrar um tour organizado. Uma opção guiada existe sobretudo para quem combina este vale com locais mais distantes no mesmo dia.

O que devo calçar para o Vale dos Pombos?

Sapatos fechados de sola plana em vez de sandálias. O terreno é fácil, mas continua a ser tufo vulcânico poeirento que fica escorregadio depois da chuva, e onde um tropeço é mais provável em sandálias abertas.

Vale a pena fazer o Vale dos Pombos se já caminhei no Vale das Rosas ou no Vale Vermelho?

É um tipo de caminhada diferente e não uma repetição: mais plana, mais rápida e construída à volta dos pombais em vez da cor da rocha ou dos afrescos das igrejas. Encare-a como uma ligação prática entre Uçhisar e Göreme, e não como uma segunda caminhada cénica no mesmo dia.

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